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PROFESSORES E ALUNOS

 

 

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Professores e alunos

Após a aula do Barcelona, é preciso refletir, discutir e agir. Chega de lero-lero e de oba-oba

SEI QUE o mundo todo já falou da goleada, mas, como ainda não tive a chance, escrevo sobre a aula de futebol dada pelo Barcelona. A turma que só vê futebol pelos melhores momentos, a maioria, deve ter entendido porque enalteço tanto, há séculos, o time catalão.

A aula foi muito ampla. Dava para fazer um curso. Um dos itens foi como jogar com três zagueiros. Guardiola faz isso quando quer mais um jogador no ataque. O Santos e todos os times brasileiros fazem o contrário. Colocam três zagueiros para fortalecer a defesa.

Outro item da aula foi como trocar passes. Além de ser bonito, é a maneira que tem o Barcelona de esperar o momento certo de tentar o gol. Ao ficar com a bola, protege também a defesa.

Guardiola, após a partida, disse que o Barcelona atua do jeito que, segundo seu pai, o Brasil jogava.

Outro item foi como marcar por pressão e recuperar rapidamente a bola. Com a proximidade entre defesa, meio-campo e ataque, fica difícil para o adversário trocar passes.

Xavi, Iniesta, Fàbregas, Daniel Alves e Thiago Alcântara marcavam e atacavam. Espero que Ganso tenha prestado atenção na aula.

Outro item foi mostrar que forma e conteúdo andam juntos. Os craques do Barcelona brilham intensamente porque o time tem um ótimo conjunto, e, sem craques, não dá para formar um grande time.

Por que, no Brasil, há tempos, forma-se um grande número apenas de razoáveis e bons jogadores? Os craques são raros.

Uma aula especial para Neymar foi mostrar que os grandes talentos individuais, como ele, precisam aprender também a ter talento coletivo. Imagino que, depois do jogo, sem conseguir dormir, Neymar deve ter questionado se não seria melhor jogar ao lado de grandes craques.

Os professores catalães foram excepcionais. Não sei se os alunos, técnicos, jogadores, dirigentes e jornalistas prestaram atenção na aula e se querem aprender. Muitas vezes, a soberba não deixa. Preferem dizer que os times brasileiros são ótimos, cheios de craques e que o futebol de bolas aéreas e chutões é emocionante.

Folha de são Paulo, 21 de dezenbro de 2011

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