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BRASIL LUTA CONTRA A FALTA DE TRADIÇÃO

 

 

 

 

 

 

 

 

Handebol
Técnico tenta superar carências do país e levar equipe à inédita semi no Mundial

MARIANA BASTOS
DE SÃO PAULO

A seleção feminina de handebol entra em quadra hoje, às 20h, no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo, com uma missão maior do que simplesmente vencer.

Uma vitória sobre a Espanha garantirá ao Brasil a classificação para uma inédita semifinal em Mundiais.

E mais do que isso: a afirmação no cenário internacional em uma modalidade que sempre foi dominada pelas seleções europeias.

Um feito considerável dada a carência na estrutura do handebol brasileiro, cujas atletas vão para clubes da Europa para adquirir mais experiência -são 13 das 16 jogadoras da seleção.

“O Brasil está no topo das Américas, mas não no do handebol internacional”, disse o técnico dinamarquês Morten Soubak, que assumiu a seleção brasileira em 2009.

Nem as seis vitórias do Brasil neste Mundial -uma delas ante a França, campeã de 2003- o tornou otimista.

Após o espanhol Jorge Dueñas, que comanda o time quarto colocado em 2009, jogar o favoritismo para o Brasil, Soubak rebateu.

“O Brasil não é favorito. O Brasil não tem tradição. O Brasil não tem escola [da modalidade]. O Brasil não tem TV [transmitindo jogos]. O Brasil não tem nada no handebol internacional. Isso é um puro fato”, disse.

Ele sabe o que é trabalhar com estrutura apropriada. Sua carreira como técnico se desenvolveu no seu país natal, que soma três ouros olímpicos só no feminino.

“Nós estamos começando um trabalho no Brasil. Temos um sonho de dar um passo a mais amanhã [hoje]. Se isso acontecer, ficaremos felizes pois vamos entrar no mapa do handebol feminino.”

A falta de público nos ginásios espanta o dinamarquês, já que o handebol é um dos esportes mais praticados nas escolas brasileiras.

Até em jogos do Brasil no Ibirapuera as arquibancadas não ficaram lotadas. Nos outros duelos, o público é pífio, e a televisão aberta não transmite as partidas.

“Acho muito estranho o ginásio não ter ficado totalmente lotado. Falam que esse é o país que talvez tenha o maior número de jogadores de handebol do mundo”, afirmou.

“Um Mundial disputado em casa. Acho muito estranho. Cadê as escolas, cadê os clubes?”, questionou o técnico, que torce para que os brasileiros lotem o Ibirapuera.

Folha de São Paulo, 14 de dezembro de 2011

 

 

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