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UM MOTORISTA É MULTADO A CADA 5 SEGUNDOS NA CAPITAL

 

 

 Total de infrações na cidade atingiu 6,97 milhões em 2010, alta de 11,5%

 

 

 

Crescimento coincide com maior fiscalização; invasão da faixa de ônibus e abuso de velocidade lideram alta

A cada cinco segundos de 2010, em média, um motorista teve seu veículo multado nas ruas da capital paulista.
Essa é uma das revelações do balanço divulgado ontem pela CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) da fiscalização das vias de São Paulo. No total, foram 6.974.682 multas, crescimento de 11,52% em comparação aos dados de 2009.
Esse crescimento coincide com um aumento da eficiência de fiscalização. Além do maior número de radares, de 450 para 547, foram implantados no ano passado 193 radares inteligentes, que, ao contrário dos normais, conseguem ler as placas e captam infrações ao rodízio e à inspeção veicular.
Houve ainda um aumento de cerca de 300 policiais militares na fiscalização.
Essa maior fiscalização fez saltar, principalmente, as multas aos motoristas que invadiram as faixas exclusivas para ônibus e àqueles que abusaram da velocidade.
Essas duas categorias lideram o ranking no crescimento de infrações, com 44,22% e 26,77%, respectivamente.
Mas, em número absolutos, a infração por desrespeito ao rodízio continua sendo a campeã, com mais de 2 milhões de multas aplicadas -crescimento de 21%.
De acordo com nota divulgada pela CET, com “essa expansão na estrutura dos equipamentos eletrônicos”, houve “uma fiscalização mais eficiente e precisa”.
Com isso, a companhia diz ter conseguido liberar mais seus agentes para organização e segurança do trânsito. O resultado, ressalta, foi uma redução na média nos picos de lentidão para 99 km, ante os 107,5 km de 2009.

CRÍTICAS
Para o consultor em trânsito e transporte Horácio Augusto Figueira, o número de multas mostra um erro de foco da companhia, ao ver que quase um terço das infrações flagradas na capital são de rodízio. “Lamentável. Que tipo de risco o rodízio causa?”
Para ele, isso mostra que a preocupação com a segurança não é prioridade. “O objetivo da fiscalização não é preservar vidas? Então, fluidez deveria vir em segundo lugar. Lamentável ver um terço da energia de fiscalização, humana ou mecânica, para infração inútil. Não estão preocupados com a vida.”
O também consultor José Bernardes Felex diz ver um erro na forma como a CET divulga os dados, não priorizando quais os efeitos educativos eles provocaram.
“Só vai ter sentido se representar uma melhoria na educação do trânsito. Na melhoria da cultura. Não estou vendo. A multa só tem sentido enquanto for educativa.”

ROGÉRIO PAGNAN e ALENCAR IZIDORO FSP, 5 de março de 2011

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