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O CAQUI

“O Caqui”, de Heládio Brito:

O vento, o vento ali.
 Mínimo sol por d’entre galhos,
 de trás, de frente, álacre, o caqui.

 Um ser-aí. Cá, aqui.
 Redondo gesto e gesta vegetal
 e uma festa de cor, pingo no i.

 Bem maior que a pi-tanga,
menor que a manga,
 o seu raio (ex)sangra,
dois, vezes o pi.

 A pele trans(luz). Si dá.
 A carne é mansa. E den
tro
o hirto centro: semen
te do existir  e hí

fen do prazer.Não vi?
E é fruta.
Ou é fruto
do inconsciente? 
Abrupto
estar, não-ser-aí?

Ou é silêncio ou gri
to?
Ou é sumo ou suma
teológica?
Uma
fruta? Fruto-em-si?

Comi? Ou não comi?
E é acre. Doce. Pouca.
 Nódoa, travo na boca.
E o vento, o vento ali…”

do livro Variações sobre o prazer de Rubem Alves.
Dar uma maça a uma mulher é desejar-lhe boa saúde.
Dar-lhe um caqui é fazer-lhe uma proposta.

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