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ANÁLISE: JOSÉ AURÉLIO RAMALHO

ANÁLISE: JOSÉ AURÉLIO RAMALHO

Perguntas sem respostas

Todas as causas têm sua legitimidade aos olhos de quem as defende, porém, quando afeta a sociedade, esta deve ser avaliada pela coerência, e não pela preferência, pelo impacto e não pela contingência.

Em abril de 2009, comemoramos o avanço da segurança viária no Brasil igualando-nos a países de primeiro mundo no quesito segurança, com a obrigatoriedade da inclusão de airbag e ABS em todos os carros fabricados no País.

As resoluções são datadas de 2007 e 2009 e, por isso, é difícil compreender qualquer argumento para que sejam adiadas, justo no último mês de implantação. Há perguntas sem respostas nessa questão e, se respondidas com coerência, e não preferência, auxiliarão na tomada de tão importante de liberação.

Por que as montadoras, com previsão de demissões, não fizeram um planejamento, cientes de que os veículos sairiam de produção? Por que, após quase cinco anos, ou 1.825 dias, o assunto surge a menos de 20 dias de a lei atingir 100% de seus propósitos? Estamos falando do adiamento de mais dois anos na oferta de segurança a milhares de trabalhadores e suas famílias, contra a perda de emprego de quatro mil funcionários? Não seria inócuo tamanho adiamento, se considerarmos o fato de que outras da cadeia de autopeças de airbag e ABS no Brasil investiram em mão de obra?

O Estado de São Paulo, 14 de dezembro de 2013

José Aurélio Ramalho – Diretor-Presidente do Observatório Nacional de Segurança Viária

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