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O FUTEBOL DOS ‘GÊNIOS’

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

 

O futebol dos ‘gênios’

Paulo Calçade

Por mais que a volta de Robinho ao Santos pudesse inverter a expectativa do clássico, havia nos números das equipes um pouco de virtude e um sinal de perigo. Como seria o confronto das melhores defesas do Campeonato Brasileiro?

O torcedor acostumado à realidade do nosso futebol sabe onde mora o perigo. A partida caminhava dentro daquela temível normalidade, com uma finalização certa para cada lado ao final do primeiro tempo, pronta para justificar as estatísticas, quando o volante Alison recebeu cartão vermelho e deixou o Santos com dez jogadores.

A expulsão obrigou o Corinthians a se comportar com mais ousadia, geralmente fator de irritação para Mano Menezes, principalmente quando lhe é cobrado um jogo mais propositivo. O treinador se defende com a própria campanha, sustentado pelos pontos conquistados pelo time fora de casa (14), agora superiores aos de seu próprio estádio (13).

Reduzido aos contra-ataques, a expulsão mudou a postura do Santos. Quando o empate já parecia um ótimo negócio, Gil deu a vitória ao Corinthians, vinda de um escanteio. O placar reforça as crenças corintianas, marca a primeira derrota de Robinho para o rival, mas não entra na lista dos grandes jogos brasileiros.

Em nosso empobrecido e mal tratado futebol, o regresso de um bom jogador é mais do que uma atração, ainda pode ser um reforço de verdade. Mas é pouco para corrigir anos e anos de retrocesso.

Um mês depois dos 7 a 1, se alguma coisa mudou foi para pior. A contundência da pancada desorientou os poucos neurônios disponíveis no mercado, capazes de gerar reação com o farol apontado para o futuro.

A goleada alemã não pode ser esquecida. Precisa ser lembrada todos os dias, pois o que vem por aí como solução pode ser ainda pior. O que se viu nas últimas semanas foi uma revoltante busca pelo o que o passado produziu de pior.

Propostas inacreditáveis foram recuperadas para salvar o futebol do País. Na prática servem somente para definir a escala de insanidade e de esperteza dos cartolas. O primeiro golpe foi o calendário da CBF para o ano que vem. Na fórmula dos “gênios”, os clubes pequenos continuam com a agenda vazia, uma espécie de treinamento intensivo para a falência e o desemprego.

Isso é pouco diante da ideia de recriação do passe. Explico, no tempo dos homens das cavernas, o jogador era propriedade do clube. Agora, sob o argumento de que quem manda no futebol são os empresários, os “gênios” bolaram uma solução inconstitucional para a barbeiragem administrativa das agremiações.

Como sempre, a cartilha do oportunismo sugere o mata-mata como remédio para o desaparecimento da qualidade do jogo. As audiências estão caindo porque o futebol é ruim, óbvio. Portanto, é preciso melhorá-lo e não mudar o sistema de disputa, que pode até ser emocionante, mas não ajuda a subir o nível das partidas. Reimplantá-lo no principal campeonato do País não é salvação, é roleta-russa.

Se essa noção de organização não é clara, então estamos realmente no fundo do poço, na vanguarda da pré-história do esporte mundial. E aí se conclui que 7 a 1 foi pouco.

Não serão apenas as voltas de jogadores como Kaká e Robinho que vão conseguir ressuscitar o jogo por aqui. Quem realmente tem algum poder precisa de um pouco de vergonha na cara. O resto é piada.

Para arrumar a casa de verdade, Santos, Corinthians e todos os outros um dia precisarão se unir, para entender o campeonato como um negócio do qual fazem parte e possuem objetivos comuns.

Talvez cheguem lá. Por enquanto veremos clássicos fraquinhos supervalorizados por detalhes. Mas jogo de futebol de verdade ainda está longe. A má notícia é que essa geração de cartolas não tem nível para resolver nada, nem para pagar as contas de seus times. A boa é que dar um jeito nisso é moleza, basta bom senso.

Paulo Calçade, oesp 11/8/14

 

UMA BELA DUPLA

domingo, 18 de agosto de 2013

Uma bela dupla

Ugo Giorgetti

Nesse futebol brasileiro atual é preciso usar lupa para descobrir uma jogada de classe, um lance de talento ou uma qualidade rara num jogador ou time. Vivo à procura dessas exceções e quase sempre me frustro. Nesse momento, apesar de tudo, acho que vi alguma coisa. Trata-se do time do Botafogo, não apenas por estar no topo da tabela. Isso qualquer um pode conseguir nesse campeonato nivelado pela extremidade inferior. Mas por outras coisas.

O despontar de alguns jogadores de nível superior é uma delas, mas, principalmente, uma grande novidade que passa além de simples revelação de jovens de talento. Estou falando da relação especial que se estabeleceu entre um grande craque e seu treinador. De fato, para quem vê o Botafogo jogar e assiste às entrevistas depois das partidas, ficam mais do que claras as razões que levaram esse time a liderar o campeonato.

Há muito não se via no futebol, pelo menos que eu tenha notado, um treinador se apoiar tanto no seu craque para melhor se comunicar com o resto da equipe. O que torna a coisa possível, no caso, é que se trata de um jogador e de um treinador excepcionais em diversos sentidos.

Conheci Oswaldo de Oliveira uma noite numa mesa do antigo e desaparecido Bar do Elias, numa de suas breves estadas em São Paulo. Ele não era muito de frequentar o Elias e estava lá por alguma razão prática que não lembro. Recordo que fiquei muito impressionado com sua educação, sagacidade e conhecimento de futebol. É um treinador diferente, que acredita no trato civilizado com jogadores, dirigentes e imprensa. Sempre polido e atencioso é, por outro lado, uma personalidade forte, que não hesita, para manter sua independência e dignidade, em sair do cargo poucos dias antes de ganhar um campeonato ao bater com um dirigente prepotente, como aconteceu no Vasco. Por isso é um treinador cuja carreira esteve sempre sujeita a altos e baixos. Mais por causa de suas qualidades do que por seus defeitos. Não é truculento, não é xerife, não é durão, não enquadra ninguém. Orienta apenas, e muito bem.

Seedorf, por sua vez, era um personagem necessário ao futebol brasileiro como exemplo aos jovens iniciantes. É, antes de tudo, um craque. De carreira internacional, de fama mundial, veio para nos mostrar o que é uma verdadeira celebridade. Celebridade é alguém que externamente parece um cidadão comum, que faz questão de se disfarçar de cidadão comum.

Se você se aproximar de uma pessoa “inusitada”, que traz na aparência, do corte de cabelo aos sapatos, todos os sinais convencionais da “modernidade” e da “criatividade” que a publicidade, as novelas e as colunas sociais disseminam diariamente, esteja certo: não é uma celebridade. Mas se você assistir a uma entrevista de Seedorf vai entender melhor o que isso significa.

Seedorf é uma celebridade a serviço do time e de seu treinador. Nas entrevistas coloca-se como um interlocutor do técnico, como alguém que dialoga com ele porque, nas suas próprias palavras, “no campo eu estou mais perto dos outros jogadores e posso transmitir melhor as instruções”. É muito frequente, durante as transmissões dos jogos, a câmera flagrar Seedorf trocando ideias com Oswaldo de Oliveira à beira do campo. Digo trocando ideias, não um, de dedo em riste, fazendo sinais que ninguém entende e outro de cabeça baixa, ou olhando para o lado. Eles conversam como quem tem uma missão em comum: fazer o Botafogo ganhar. E um precisa do outro.

Não é necessário que o Botafogo ganhe o título, não precisa mostrar mais nada. Se contribuir para acabar com essa relação de “professor” e “atleta”, que infesta o futebol brasileiro, será suficiente. Talvez quando terminar esse campeonato os professores tenham voltado a ser apenas técnicos de futebol. E talvez, assim, comecem a reaparecer em nossos campos tão desertos alguns Seedorf.

Ugo Giorgetti, O Estado de São Paulo, 18 de agosto de 2013

OS ITALIANOS ESTÃO BRAVOS

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Os italianos estão bravos

 

 

Os Italianos estão decidindo se protestarão formalmente na Fifa pelo

descaso de que foram vítimas no Rio.

Só quando chegaram

para treinar no Engenhão é que foram avisados da interdição do estádio e tiveram de se submeter a treinar num campo com gramado de que não gostaram.

Pergunta-se: interditado já faz bom tempo, por que ninguém avisou a Itália ou providenciou uma alternativa?

A resposta o COL não sabe dar.

(Como não tem como explicar que um funcionário seu falsificava credenciais do estacionamento do Riocentro, onde está instalado)

Blog do Juca Kfouri 13/06/2013 20:35

ADRIANO

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

 

Por RUY CASTRO

Prometi-me não escrever mais sobre Adriano, o ex-Imperador, ex-atleta, ex-jogador. Aos 30 anos, sua carreira no futebol está encerrada. Todas as tentativas para recuperar seus tendões, fazê-lo perder 20 kg e botá-lo em forma, por mais bem planejadas, fracassarão. A tendência é a de que as notícias a seu respeito logo deixem as páginas de esporte e se mudem para outros cadernos dos jornais.

Mas, se o jogador não é mais personagem, resta o homem -e é este que, mais do que nunca, está em perigo. O Flamengo, clube que o revelou e do qual ele se afastou de vez nesta segunda-feira, mantinha-o “treinando” por medo de que, sem o futebol, Adriano emburacasse de vez. A intenção era louvável, mas inútil. Ele já emburacou. Não tem mais controle sobre seu comportamento. Quem o comanda é o álcool.

Adriano sobe aos palcos ou à mesa dos botequins e se diz “orgulhoso de ser da favela”, que “tem dinheiro, mas não precisa dele” e é vítima “da inveja”. É a prepotência em pessoa. Não admite seu único problema: o de que sua vontade tornou-se uma combinação de água, malte de cevada e lúpulo.

Ainda não chegou ao estágio em que o sentimento de culpa faz com que o alcoólatra cogite sinceramente interromper o consumo (mas não consegue, porque o organismo já fala mais alto do que o cérebro). E, pelo tom eufórico de suas aparições, sempre registradas pelas câmeras, ainda não foi tomado pela depressão e pela inércia. Mas tudo isto -culpa, depressão, inércia- sobrevirá, e não terá a ver com o fato de ele estar “treinando” ou não. Será apenas uma fase inevitável do processo.

A única chance para o homem Adriano seria uma internação de pelo menos seis meses em clínica especializada e de regime fechado. Mas os alcoólatras têm uma lógica própria. Não se envergonham da doença -só do tratamento.

Publicado na Folha de S.Paulo de hoje
J

FUTEBOL EM CRISE

sábado, 20 de outubro de 2012

 

 

Futebol em crise

Texto publicado na edição especial de 18 anos da revista “CartaCapital”:*

O futebol do “país do futebol” está em crise.

Em 14º. lugar no ranking da FIFA, embora tal classificação seja nebulosa.

Tão nebulosa, aliás, como a própria mania de dizermos que somos o “país do futebol” quando muito mais que nós, são do futebol países como a Inglaterra, a Argentina e por aí afora.

Basta dizer que em qualquer pesquisa que se faça sobre tamanho de torcida no Brasil, o primeiro contingente é o de pessoas que não se interessam pelo jogo.

Só depois aparecem as torcidas do Flamengo e do Corinthians.

Na Argentina, ao contrário, primeiro vem a torcida do Boca Juniors, depois a do River Plate e, em terceiro lugar, os desinteressados.

Desnecessário dizer que ninguém reverencia o jogo como os ingleses, inventores do futebol moderno, e basta ir a Wembley, mesmo modernizado, ou a Old Trafford, para sentir até o cheiro das velhas bolas de couro ou das chancas de antigamente, palavra que até sumiu do dia a dia nacional.

Mas como está em crise o futebol do país que tem Neymar e que acaba de vender a peso de ouro meninos como Oscar e Lucas?

Que sediará a próxima Copa do Mundo?

Que tem os três últimos campeões da Libertadores, o Inter, o Santos e o Corinthians, este último invicto, o primeiro a conseguir tal façanha com o torneio em 14 jogos, e ao derrotar o poderoso Boca Juniors na final?

Eis que a própria Libertadores pode trazer parte da explicação, porque seus campeões em 2010 e 2011 foram eliminados pelo Mazembe africano na semifinal e impiedosamente goleados pelo Barcelona catalão na final. Perguntando onde está a bola.

Se não é o país do futebol, o Brasil foi sim o país do melhor futebol do mundo por um bom tempo, isto é, por muito tempo, pelo menos durante todo o reinado de Pelé, entre 1958 até meados dos anos 70, o que não se mede, como se imagina, pelas Copas do Mundo conquistadas, mas pela beleza e eficácia do futebol apresentado.

Quiseram os deuses dos estádios que Pelé surgisse para fazer companhia a Mané Garrincha, a Didi, Nilton Santos, e que, ao se despedir, deixasse companheiros como Gérson, Rivellino, Tostão.

Tempos em que o futebol não era jogado apenas com os pés, mas, sobretudo, com a cabeça.

Como jogam hoje em dia Iniesta, Xavi, Messi.

A verdade é que o futebol brasileiro entrou numa burra viagem em que o resultado é tudo, ganhar é preciso, encantar não é preciso.

E deixou de encantar sem, necessariamente, ganhar, pelo menos fora dos nossos horizontes.

Seleções brasileiras perderam a capacidade de se impor, a ponto de agora mesmo, em Londres, os mexicanos não darem a menor pelota para a outrora temida camisa canarinho.

Enquanto os europeus cada vez mais jogam com a bola nos pés, a valorizam e tratam bem, nós passamos a ser o paraíso dos volantes, o cemitério dos camisas 10, a valorizar mais quem rouba a bola do que quem a entrega em domicílio — todo poder aos brucutus e muito cuidado com os violinistas.

Os maestros passaram a ser confundidos com os professores, homens de terno e gravata deselegantes apesar das grifes e dos preços da roupas, invariavelmente incapazes de pensar o jogo como metáforas da vida, tecnocratas especializados na manutenção de seus empregos, pagos a peso de ouro por cartolas irresponsáveis ou administradores de lavanderias, sempre lucrativas para os próprios bolsos e terríveis para os cofres públicos e dos clubes, irrigados pelas Timemanias da vida.

Se não bastasse, a CBF investiu na marca de sua seleção e, com um calendário que não dá vez aos clubes, condenou-os às fronteiras nacionais, incentivando a exportação de pé de obra, como meio de adaptá-los ao mundo europeu e de facilitar os amistosos do time dela sempre longe do Brasil, razão pela qual virou mal amado pela torcida.

Se um técnico dinamarquês, Morten Soubak, fez do handebol feminino brasileiro uma das atrações dos Jogos Olímpicos de 2012 recentemente disputados em Londres, e se um técnico argentino, Rubén Magnano, ressuscitou o basquete brasileiro, falar em estrangeiros no futebol do patropi soa como heresia.

Por mais que, nos anos 50, o húngaro Bella Gutman tenha contribuído para arejar taticamente o futebol brasileiro ao trabalhar no São Paulo e levá-lo ao título paulista de 1957, com uma única exigência, a contratação do já veterano Zizinho.

Gutman era um estudioso, um teórico que tinha, no entanto, como método de trabalho, comandar craques, como Zizinho, o maior ídolo de Pelé.

Pep Guardiola, o revolucionário do Barcelona, está em ano sabático e é quase uma maldade pensar nele a apenas dois anos da Copa do Mundo no Brasil, Copa para qual o país já está classificado, mas, ao contrário do que acontece normalmente, não é tido como favorito.

O que obriga que se ache a solução por aqui mesmo e nem é tão difícil diante do nível muito parecido dos técnicos de primeiro time no Brasil.

Mano Menezes, Felipão, Muricy Ramalho, Tite, Abel Braga, Cuca ou Luxemburgo, nenhum deles faz milagre ou seria capaz de inventar a roda.

Mas a Seleção pode fazer, hoje, um bom time, com um goleiro qualquer porque não há nenhum que brilhe, Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo; Arouca, Paulinho, Oscar e Ramirez: Neymar e Leandro Damião, gente que bem treinada e entrosada não dará vida fácil a ninguém, embora seja mesmo inferior aos selecionados da Espanha, da Alemanha, do Uruguai e da Argentina.

Se ganhar a Copa do Mundo pela sexta vez parece um sonho impossível neste momento — e se perder uma Copa do Mundo pela segunda vez no país pentacampeão parece um pesadelo insuportável — pior é pensar no que fazer, depois da Copa, com os estádios que estão sendo construídos, com dinheiro público, em Cuiabá, Natal, Brasília e Manaus, onde nem sequer times da Primeira Divisão do futebol nacional há.

Sim, porque um dos maiores problemas do futebol brasileiro, diretamente ligado à miséria da cartolagem corrupta, corruptora e incompetente, está na ausência do torcedor dos estádios e não apenas por falta de talentos a serem vistos e aplaudidos, mas, principalmente, pela ausência completa de organização e criatividade.

São raros os clubes brasileiros que trabalham corretamente as categorias de base e, mesmo assim, normalmente, intoxicam os meninos com conceitos táticos antes que eles estejam com os fundamentos bem formados, motivo da fabricação de brucutus em série.

Enquanto se viu na Europa, principalmente na Espanha e na Alemanha, uma crescente preocupação com o desenvolvimento “à brasileira” de talentos (basta ler as entrevistas de Pep Guardiola que não faz segredo disso), no Brasil, ao contrário, buscou-se copiar os modelos europeus. Pior: se na Europa a busca deu certo e foi além, aqui a emenda ficou bem pior que o soneto.

Técnicos de ponta como Muricy Ramalho são capazes de dizer que se você quiser ver espetáculo deve ir ao teatro, ele mesmo um ex-jogador talentoso e muitas vezes espetacular.

O futebol de resultados passou a ser, também, o da permanência dos professores no emprego, à custa da mediocridade ampla, geral e irrestrita.

E importante ressaltar que o mau momento vivido pelo futebol brasileiro não se restringe à falta de conquistas, porque nem mesmo as duas Copas vencidas em 1994 e 2002 encheram os olhos dos mais exigentes, apesar das presenças de craques como Romário, os Ronaldos e Rivaldo.

O time de 1982, de Sócrates, Zico, Falcão, de Telê Santana, não ganhou a Copa e, como diz o jornalista Fernando Calazans, “azar da Copa”.

O que não dá é ver a Seleção Brasileira virar freguesa da mexicana, como virou neste século, com cinco derrotas em 10 jogos, apenas três vitórias, sem contar a decisão olímpica, porque disputado não pelas seleções principais.

Atenção: estamos falando do México, não da Itália, da Holanda ou da França, sempre admitindo a hipótese, por remota que seja, de o México estar se transformando numa potência do futebol mundial.

Tem jeito, tem solução?

Claro que tem, desde que não se tenha uma visão da mão para boca, de curto prazo e que experiências não sejam interrompidas — como fez Ney Franco, ao trocar um promissor trabalho que executava com a base, na CBF, por ser mais um técnico do São Paulo em crise.

Além do mais, se há algo indiscutível mesmo em momentos de entressafra, é que, como diria Pero Vaz de Caminha, em se plantando tudo dá, craques inclusive, às vezes mais, às vezes menos.

Vai que Três Corações já tenha produzido um novo Pelé, ou Pau Grande outro Mané Garrincha, que apareçam em 2013 para brilhar no Maracanã em 14…

Sim, é claro, será preciso muito coração para que isso aconteça. Mas não só.

*Texto publicado na última semana de setembro, antes, portanto, da promissora volta de Kaká à Seleção.

E ainda tem o Ganso…

Blog do Juca Kfouri      19/10/2012i

 

MÉRITO

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

 

Painel FC

BERNARDO ITRI painelfc.folha@uol.com.br

Meu lugar. O fato de não ter sido escolhido para disputar a Copa do Brasil de 2013 causou revolta no Mogi Mirim. O clube argumenta que, por mérito, deveria estar na competição no lugar do São Bernardo, time cujo padrinho é o ex-presidente Lula. O Mogi ganhou o Torneio do Interior e conquistou vaga na Série C.

Colaborou MARCEL MERGUIZO, de São Paulo
Folha de São Paulo, 3 de outubro de 2012.

 

 

GOLEADA DO TEIXEIRA INCOMODA HAVELANGE

quinta-feira, 12 de julho de 2012

 

 Goleada de Teixeira incomoda Havelange

Depois da separação entre Ricardo Teixeira e Lúcia Havelange que, por pouco civilizada, quase significou o rompimento do ex-genro com o ex- sogro, eis que agora os negócios, além dos netos, que mantiveram as relações, podem desfazê-las de vez.

Segundo se comenta nos círculos próximos a ambos, João Havelange está estarrecido com a diferença entre o que ele e Teixeira amealharam nesses anos todos de promiscuidade com a ISL e as redes de TV que compraram seus serviços.

Apesar de Havelange, 96 anos, admitir que Teixeira, 65, precisa de mais dinheiro do que ele em função da expectativa de vida de cada um, a diferença, em francos suíços, de praticamente 12 a 1, é uma goleada inadmíssivel para quem fez do genro zé ninguém um dos mais poderosos cartolas de todos os tempos, frequentador de palácios presidenciais e da alta sociedade carioca, assim como dos novos ricos paulistanos.

E as consequências na Justiça brasileira podem acabar por jogar um contra o outro, porque aquilo que o “Jornal Nacional”, generosa, e equivocadamente, chamou de “comissões”, é propina mesmo, fortunas recebidas indevida e ilegalmente segundo a Justiça suíça.

Apesar de continuamente bajulado por cartolas como Carlos Nuzman, presidente do COB e, pior, do Comitê Organizador da Rio 2016, tudo indica que o fim da carreira do chefão será ainda mais vergonhoso, assim como do esperto ex-genro, condenado a ficar em Boca Raton.

Blog do Juca Kfouri  12/7/12

 

 

LOUCOS AMORES

quarta-feira, 4 de julho de 2012

 

 DEVIDOS LUGARES

A Eurocopa terminou com as coisas nos devidos lugares. Para a tristeza de quem gosta de outro futebol, a Espanha mostrou que é a seleção mais encantadora e eficiente do mundo, que está entre as maiores de todos os tempos e que tem os dois melhores armadores do planeta, Xavi e Iniesta.

O jeito de jogar do futebol brasileiro não permite que surja um Iniesta, um Xavi. É nossa principal deficiência. No Brasil, só existem volantes, muito mais para marcar, ou meias-atacantes e atacantes, que jogam da intermediária para o gol. Não há um excepcional armador. Se Ganso tivesse sido formado no Barcelona, talvez fosse esse craque.

Tostão, FSP 4/7/2012

FELIPE DOS ANJOS, CONTRATADO PARA JOGAR NO REAL MADRID

domingo, 6 de Maio de 2012

O Real Madrid acolheu, há duas semanas, o brasileiro Felipe dos Anjos, 13, com um projeto de torná-lo jogador profissional de basquete.

Do alto de seus 2,03 m de altura, o jovem paulista de Osasco participou como convidado, com a camisa do Real, de um tradicional torneio nas categorias de base da Espanha e surpreendeu.

Felipe chegou ao time espanhol por intermédio de Luis Martín, um dos agentes do pivô catarinense Tiago Splitter, que hoje está no San Antonio Spurs, da NBA.

Felipe era atleta do Clube Pinheiros, de São Paulo, desde os dez anos, quando chegou já com 1,80 m de altura.

No torneio chamado Minicopa, na categoria infantil, para garotos até 14 anos, que foi realizado em fevereiro, em Barcelona, o Real Madrid ficou com o vice-campeonato.

Caiu na final contra o Barcelona, por 83 a 78, em partida que Felipe não disputou porque já estava no caminho de volta para sua casa.

O brasileiro atuou como pivô da equipe da capital. Participou de três dos quatro jogos e teve médias de 11 pontos e dez rebotes por partida.

Não contava que ficaria até o final da competição, por isso não jogou o duelo do título contra o rival do Real. Há, na internet, vídeos de jogo de Felipe no torneio (folha.com/no1085650 -ele é o jogador número 20, de branco).

Dentre os 96 garotos inscritos na Minicopa, nenhum era tão alto como o paulista.

“Durante a competição, os dirigentes do Real Madrid disseram que queriam tê-lo no time”, declarou Martín.

Em uma avaliação, os médicos do Real Madrid estimaram que o pivô pode chegar a até 2,21 m de altura.

A equipe merengue acumula em sua galeria de troféus 30 títulos nacionais e oito taças da Euroliga, a liga dos campeões de basquete da Europa, na categoria adulto.

Ao lado da mãe, a vendedora Jackeline, 34, Felipe ouviu os planos do Real Madrid para sua carreira: bolsa de estudo em tempo integral em Madri, moradia no alojamento dos atletas do basquete, ajuda de custo mensal e a perspectiva de se tornar jogador do time principal até 2020, quando Felipe estará com 22 anos.

Atualmente no Brasil não existem registros de casos semelhantes ao do pivô.

Na última convocação da seleção brasileira sub-15, por exemplo, todos os 26 jogadores chamados pelo treinador Ricardo Oliveira defendiam equipes no Brasil.

A situação de Felipe se assemelha à de Tiago Splitter, que hoje joga na NBA, a liga profissional dos EUA. Aos 15 anos, o catarinense trocou o tradicional Ipiranga de Blumenau pelo Baskonia, do País Basco (Espanha), com um projeto bastante semelhante.

Em 2010, aos 25 anos, Splitter tornou-se MVP (jogador mais valioso) da Liga ACB, a primeira divisão espanhola, e trocou a Europa pela NBA.

Assim, na segunda quinzena de abril, com a autorização e a torcida da mãe e do pai, que atua no setor calçadista, Felipe embarcou para a capital da Espanha.

“Estou muito empolgado com o desafio. Espero que consiga atingir os objetivos traçados para mim”, disse Felipe, antes de embarcar.

“Tudo o que uma mãe quer é ver o filho bem. Tirando a distância, que vai ser difícil, ele está realizando um sonho para mim”, declarou Jackeline, que também tentou ser jogadora de basquete.

Os dirigentes do Real Madrid prometeram à mãe do pivô duas passagens de ida e volta por ano para visitar Felipe na capital espanhola.

Daniel Brito                  Folha de São Paulo, 6 de maio de 2012

 

 

SALSICHA DE SOJA

terça-feira, 3 de Abril de 2012

 

 Salsicha de soja

Quer se transformar em um ser humano melhor? Frequente um estádio de futebol

Fomos sempre levados a acreditar que é o Maracanã, mas talvez o estádio mais famoso do mundo seja mesmo o Coliseu Romano, erguido nos anos 80. Eu digo 80 d.C.. Lugar de jogos sangrentos entre homens e animais e entre homens e homens mesmo, o Coliseu era um bom ambiente, acreditavam os romanos, para crianças e jovens aprenderem ensinamentos práticos sobre sociabilidade, ordem e luta pela sobrevivência.

Mais de 1.900 anos depois da construção do “estádio” de Roma, estava eu semana passada no Couto Pereira, em Curitiba, para ver Coritiba e Londrina, um jogo sangrento entre homens da capital e homens do interior pela liderança do Paranazão.

Já tinha ouvido falar sobre, mas placas por todo lugar me avisavam que era proibido fumar em qualquer dependência do estádio, sob pena da lei. Não que eu fume -pelo contrário, tenho asco de cigarro-, mas fico imaginando a fissura de um fumante nervoso diante de um jogo idem em um estádio aberto em que não se pode fumar.

Sem fazer de meu argumento um estudo sociológico sobre a violência do futebol, roçando na polêmica da cerveja na Copa e agregando pensamento à lei “antibaixaria” que tentam emplacar na Bahia (para proibir manifestações musicais que contenham ofensas em eventos públicos, o que deve chegar logo às arquibancadas), chegamos ao ponto em que o estádio de futebol está revisitando os preceitos romanos na formação de um humano melhor.

O estádio enquanto laboratório da humanidade: cigarro faz mal à saúde, seja uma pessoa educada, não cante músicas com palavrão e preconceito no estádio; pela ordem social, não beba nas duas horinhas em que seu time está jogando.

Não importa que haja leis demais e fiscalização de menos onde realmente interessa. Que o entorno do estádio venda mais bebida que o Oktoberfest. Que as pessoas se matem fora do estádio, mas dentro a violência está contida. Que cambistas e flanelinhas façam a festa nas cercanias. Porque, no estádio, a lei e a vigilância imperam.

Fico imaginando o que ainda vamos ver dentro de um estádio num futuro próximo, nesse raciocínio de que ele é o espelho do “homem de bem”: cafezinho vendido apenas com açúcar mascavo; cachorro quente com “salsicha de soja”; distribuição de fones de ouvidos para o público avesso a pagode e Ivete Sangalo sintonizar rock no intervalo; exigência de depilação dos jogadores, por questões higiênicas; os gritos de guerra das torcidas vão ter que obedecer uma cota de 20% de cânticos educativos tipo “não maltrate os animais”

Alguém se espantaria?

Lúcio Ribeiro – Folha de São Paulo, 03 de  abril de 2012

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