Cidadania no ar
Busca:

Pensamentos

« Posts Mais Antigos

DIGNIDADE NÃO SE NEGOCIA

terça-feira, 15 de setembro de 2015

 

Primeiro dia de aula, o professor de ‘Introdução ao Direito’ entrou na sala e a primeira coisa que fez foi perguntar o nome a um aluno que estava sentado na primeira fila:

– Qual é o seu nome?
– Chamo-me Nelson, senhor.

– Saia de minha aula e não volte nunca mais! – gritou o desagradável professor.
Nelson ficou desconcertado. Quando voltou a si, levantou-se rapidamente, recolheu suas coisas e saiu da sala.Todos estavam assustados e indignados, porém ninguém falou nada.

– Agora sim! – vamos começar .

– Para que servem as leis? Perguntou o professor.
Seguiam assustados ainda os alunos, porém pouco a pouco começaram a responder à sua pergunta:
– Para que haja uma ordem em nossa sociedade.

– Não! – respondia o professor.
– Para cumpri-las.

– Não!
– Para que as pessoas erradas paguem por seus atos.

– Não!
– Será que ninguém sabe responder a esta pergunta?!

– Para que haja justiça – falou timidamente uma garota.

– Até que enfim! É isso, para que haja justiça. E agora, para que serve a justiça?

Todos começaram a ficar incomodados pela atitude tão grosseira. Porém, seguíamos respondendo:
– Para salvaguardar os direitos humanos…

– Bem, que mais? – perguntava o professor .
– Para diferenciar o certo do errado, para premiar a quem faz o bem…

– Ok, não está mal, porém respondam a esta pergunta:
“Agi corretamente ao expulsar Nelson da sala de aula?”

Todos ficaram calados, ninguém respondia.

– Quero uma resposta decidida e unânime!

– Não! – responderam todos a uma só voz.

– Poderia dizer-se que cometi uma injustiça?
– Sim!

– E por que ninguém fez nada a respeito? Para que queremos leis e regras se não dispomos da vontade necessária para praticá-las? Cada um de vocês tem a obrigação de reclamar quando presenciar uma injustiça. Todos. Não voltem a ficar calados, nunca mais! Vou buscar o Nelson – disse. Afinal, ele é o professor, eu sou aluno de outro período.

Aprenda: Quando não defendemos nossos direitos, perdemos a dignidade e a dignidade não se negocia.

enviado por Roberto Boscarriol, São Paulo – SP.

 

 

 

Waldez Luiz Ludwig

quarta-feira, 13 de maio de 2015

quarta-feira, 13 de maio de 2015

UMA REPÚBLICA SOCIALISTA?

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Dom Aloísio Roque Oppermann

Arcebispo Emérito de Uberaba (MG)

Se os serviços públicos são geridos por empresas particulares, ou pelo governo, é uma questão de eficiência. Não é de ideologia política. Mas não esqueçamos que os serviços públicos “gratuitos” alguém os precisa pagar. A passagem de ônibus eu posso pagar do meu bolso, diretamente para a companhia particular, que presta esse serviço. Ou eu entrego essa mesma contribuição ao governo, para que ele a administre. Não existe jantar gratuito. O socialismo sempre fascinou a mente humana, porque parece ser mais justo, e atender melhor à parte mais pobre da humanidade. Isto, precisamente, sempre foi o ponto fraco do capitalismo: não ter plano de salvação para os perdedores. Mas o socialismo carrega consigo uma mancha execrável. Não é capaz de respeitar o que é inerente ao ser humano, que é a sua liberdade. Como não conseguirá jamais se estabelecer com a concordância dos cidadãos, precisa se impor à força. As cabeças de quem pensa, e é cioso em permanecer livre, rolam inexoravelmente. Esse regime é o mais catastrófico da história, tendo assassinado mais de 80 milhões de rebeldes. Tornou-se uma mancha na história da humanidade.

No Brasil, alegremente estamos correndo para os braços das ditaduras. Sem pejo nenhum, e sem falsete no rosto dos nossos dirigentes, temos relações diplomáticas preferenciais com nações, onde as liberdades individuais são uma quimera. As visitas oficiais a certos países, de visceral princípio socialista, são uma constante. A importação de médicos estrangeiros (não quero duvidar de sua competência profissional), tem como objetivo acostumar nossa população com as belezas do socialismo. Os gastos financeiros com doações em favor de nações mais pobres (todas socialistas), são uma constante. Os Black Blocs, quebrando com grande satisfação os Bancos, mostram que já estão infectados com esse vírus, francamente anti-livre mercado. Os que querem os serviços públicos todos gratuitos, vivem de um delírio deplorável. Tudo está sendo feito à luz do sol. Os condutores da nação terão o direito de dizer: “eu avisei”. É muito provável que entre os condenados pelos crimes do mensalão, já se encontrem aqueles que, no futuro, serão os dirigentes da Nação.

É SEMPRE UM PRAZER

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

 

Segundo estudos recentes:

em pé, fortalece a coluna;
de cabeça baixa, estimula a circulação do  sangue;
de barriga para cima é mais prazeroso;
sozinho, é estimulante, mas egoísta;
em grupo, pode até ser divertido;
no banho, pode ser arriscado;
no automóvel, é muito perigoso…
com freqüência, desenvolve a imaginação;
entre duas pessoas, enriquece o conhecimento;
de joelhos, o resultado pode ser  doloroso…

sobre a mesa ou no escritório,
antes de comer ou depois da sobremesa,
sobre a cama ou na rede,
nus ou vestidos,
sobre o sofá ou no tapete,
com música ou em silêncio,
entre lençóis ou no “closet”:

sempre é um ato de amor e de enriquecimento.

Não importa a idade, nem a raça, nem a crença, nem o sexo,
nem a posição socioeconômica…
… Ler é sempre um prazer…!!!

enviado por Heloise Del Nero, Itatiba – SP.

O SANTO CASAMENTEIRO

terça-feira, 26 de agosto de 2014

O Santo Casamenteiro

 

A jovem era devota de Antônio de Pádua.

Orava, genuflexa, diariamente, reiterando rogativas:

– Abençoa meus familiares, dá-lhes saúde e paz. Quanto a mim, santo querido, peço seus préstimos, ajudando-me a encontrar um companheiro, um bom rapaz que realize meu sonhos de um lar feliz, abençoado por muitos filhos…
A família até que ia bem, certamente amparada pelo santo…
Quanto ao casamento, nada feito. Ele parecia fazer ouvidos moucos.
Entrava ano, saía ano, e nada de aparecer o príncipe encantado.
Já quase conformada em ser “titia”, viu-se, certa feita, em sonho, diante do grande pregador do Evangelho.
Sem vacilar, cobrou-lhe resposta às reiteradas solicitações.
– Meu santo, tenho feito tudo para merecer suas graças, arranjando-me um companheiro, conforme sua especialidade. Guardo recato. Pouco saio, fugindo às tentações. Só vou à igreja… Comungo diariamente, acendo velas em sua homenagem, repito o rosário duzentas vezes, rogo ardentemente… O que está faltando?
O santo sorriu:
– Minha filha, tenho procurado ajudá-la, mas está difícil, porquanto depende de você. Participe da vida social, freqüente uma escola, integre-se em serviços comunitários, amplie seu círculo de relações… Dê uma chance ao amor!
André Luiz faz interessante observação, em Ação e Reação, psicografia de Chico Xavier:

Deus ajuda as criaturas por intermédio das criaturas.

Sempre há Espíritos dispostos a atender nossas rogativas, quando orientadas pelo coração, em empenho contrito de comunhão com a Espiritualidade.
Podemos dirigi-las a Deus, a Jesus, aos santos, aos guias, protetores, aos anjos, de acordo com nossas convicções religiosas.
Os santos autênticos, Espíritos iluminados que passaram pela Terra, como Francisco de Assis, Antonio de Pádua, Tereza D’Ávila, Maria de Nazaré, Simão Pedro, não têm condições para atender, pessoalmente, às multidões que os procuram, em milhões de preces a eles dirigidas, diariamente.
Para tanto, contam com enorme contingente de auxiliares, que em seu nome ajudam os fiéis.
O mesmo acontece na área espírita, com veneráveis entidades, como Bezerra de Menezes, Eurípides Barsanulfo, Cairbar Schutel, Batuíra e, hoje, o nosso querido Chico Xavier.
Em nível mais modesto, há familiares, amigos e mentores desencarnados, que atentam às nossas rogativas, a partir de singelas iniciativas.
Jamais estaremos desamparados.
Contamos, invariavelmente, com o amparo das criaturas de Deus que, em nome do Criador desenvolvem iniciativas que visam nosso bem-estar.
Ficaríamos surpreendidos se tivéssemos consciência do permanente empenho de nossos amigos espirituais, buscando ajudar-nos a aproveitar as oportunidades de edificação da jornada humana.
E o fazem por amor ao Bem, como é próprio dos Espíritos que vivenciam em plenitude as leis divinas, conscientes de que a felicidade do Céu está em socorrer as necessidades da Terra.

Não obstante, é preciso atentar a um detalhe quando rogamos auxílio aos benfeitores espirituais.
Eles não são babás, chamados a cuidar de marmanjos.
Sua função primordial é nos inspirar a fazer o melhor.
Mostram caminhos.
A iniciativa de caminhar é nossa.
É preciso sair a campo, lutar pelo ideal, trabalhar pela realização de nossos sonhos, para que não nos situemos como a jovem que estava ficando para titia, por fechar-se numa redoma, sem acesso para o “príncipe encantado”.

Do Livro Abaixo a Depressão! de Richard Simonetti

 

MAKTUB

quinta-feira, 17 de abril de 2014

 

Em certas tradições mágicas, os discípulos tiram um dia por ano – ou um fim de semana, se for necessário – para entrar em contacto com os objetos das usas casas.
Tocam em cada coisa e perguntam em voz alta:
– Preciso realmente disto?
Pegam nos livros das estantes:
– Vou reler este livro algum dia?
Olham para as recordações que guardaram:
– Ainda considero importante o momento que este objeto me faz lembrar?
Abrem todos os armários:
– Há quanto tempo tenho isto e não uso? Será que vou mesmo precisar?
Diz o mestre:
As coisas tem energia própria. Quando não utilizadas, acabam por se transformar em água estagnada dentro de casa – um bom lugar para mosquitos e podridão. É preciso estar atento, deixar a energia fluir livremente. Se você mantém o que é velho, o novo não tem espaço para se manifestar.
Maktub – Paulo Coelho

ALMAS ENAMORADAS

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

 

Almas enamoradas

Geralmente, é na juventude do corpo que temos despertado o interesse em buscar o sexo oposto para compartilhar dos nossos sonhos.

Quando encontramos a alma eleita, o coração parece bater na garganta e ficamos sem ação. Elaboramos frases perfeitas para causar o impacto desejado, a fim de não sermos rejeitados.

Então, tudo começa. O namoro é o doce encantamento.

Logo começamos a pensar em consolidar a união e nos preparamos para o casamento.

Temos a convicção de que seremos eternamente felizes. Nada nos impedirá de realizar os sonhos acalentados na intimidade.

Durante a fase do namoro é como se estivéssemos no cais observando o mar calmo que nos aguarda, e nos decidimos por adentrar na embarcação do casamento.

A embarcação se afasta lentamente do cais e os primeiros momentos são de extrema alegria. São os minutos mais agradáveis. Tudo é novidade.

Mas, como no casamento de hoje observa-se a presença do ontem, representada por almas que se amam ou se detestam, nem sempre o suave encantamento é duradouro.

Tão logo os cônjuges deixem cair as máscaras afiveladas com o intuito de conquistar a alma eleita, a convivência torna-se mais amarga.

Isso acontece por estarem juntos Espíritos que ainda não se amam verdadeiramente, que é o caso da grande maioria das uniões em nosso planeta.

Assim sendo, tão logo a embarcação adentra o alto mar, e os cônjuges começam a enfrentar as tempestades, o primeiro impulso é de voltar ao cais. Mas ele já está muito distante…

O segundo impulso é o de pular da embarcação. E é o que muitos fazem.

E, como um dos esposos, ou os dois, têm seus sonhos desfeitos, logo começam a imaginar que a alma gêmea está se constituindo em algema e desejam ardentemente libertar-se.

E o que geralmente fazem é buscar outra pessoa que possa atender suas carências.

Esquecem-se dos primeiros momentos do namoro, em que tudo era felicidade, e buscam outras experiências.

Alguns se atiram aos primeiros braços que encontram à disposição, para logo mais, sentirem novamente o sabor amargo da decepção.

Tentam outra e outra mais, e nunca acham alguém que consolide seus anseios de felicidade. Conseguem somente infelicitar e infelicitar-se, na busca de algo que não encontram.

* * *

Se a pessoa com quem nos casamos não é bem o que esperávamos, lembremo-nos de que, se a escolha foi feita pelo coração, sem outro interesse qualquer, é com essa pessoa que precisamos conviver para aparar arestas.

Lembremo-nos de que na Terra não há ninguém perfeito, e que nossa busca por esse alguém será em vão.

E se houvesse alguém perfeito, esse alguém estaria buscando alguém também perfeito que, certamente, não seríamos nós.

* * *

Os casamentos são programados antes do berço.

Assim, temos o cônjuge que merecemos e o melhor que as Leis Divinas estabeleceram para nós.

Dessa forma, busquemos amar intensamente a pessoa com quem dividimos o lar, pois só assim conseguiremos alcançar a felicidade que tanto almejamos.

Redação do Momento Espírita. Disponível no CD Momento Espírita, v. 5. ed. Fep. Em 22.04.2008.

 

UM AMOR QUE NÃO ACABOU

sábado, 14 de dezembro de 2013

 

MARCELO RUBENS PAIVA – O Estado de S.Paulo

Paulo Mendes Campos é preciso. E preciso quando descreveu o fim de um amor em O Amor Acaba. Mas impreciso quando atesta que todos têm um fim. Nem todos acabam. Um amor, sim.

 

Quer um programão para as férias? O cineasta Richard Linklater nos proporciona uma experiência cinematográfica sem precedentes: assistir na sequência aos filmes Antes do Amanhecer (de 1994), Antes do Pôr do Sol (de 2004) e Antes da Meia-Noite (de 2013), todos com os mesmos atores, Ethan Hawke e Julie Delpy, sobre o mesmo casal, o americano Jesse e a francesa Celine.

No primeiro filme, eles se encontram num trem para Viena. Decidem descer e arriscar uma história de amor por uma noite apenas. Passeiam pela cidade, falam sem parar. No segundo, eles se reencontram dez anos depois em Paris, engatam uma história não mais por uma noite. Que é revista na década seguinte na Grécia, no terceiro filme.

Feitos pela mesma equipe, eles têm o mesmo jeitão: planos longos, externas, diálogos intermináveis e um debate arriscado sobre as diferenças de gêneros, americanos e europeus, Dionísio e Apolo. Cada filme se passa num momento da história (guerra da ex-Iugoslávia, o debate ecológico e a decadência financeira do euro), percorre o platonismo dos inconsequentes 20 anos, a busca por um amor sólido aos 30, e a crise dos 40 pautada pelo questionando se ele acaba, sobre ruínas gregas. Passam pelo amor sonhador, o real e o pactuado.

Assim como os atores, o diretor-roteirista cresceu e nos coloca os dilemas de uma jornada com que muitos de nós se identificam. Assim como eles, tivemos 20, 30 e 40, sonhos, arrependimentos, mal-entendidos e amores casuais que poderiam ter rendido. Compre ou alugue, ejete a criançada, chame a patroa e… Boa sorte. Não esqueça dos lencinhos de papel em mão.

*

A escritora Margarita Robayo escreveu sobre seus romances com homens mais velhos: “São como qualquer namorado, só que mais felizes”. Oona escreveu sobre o marido 36 anos mais velho: “Gargalhar é um dos maiores presentes que Charlie me deu. Minha infância não foi nada feliz. Ele é meu mundo”.

Uma das histórias de amor que derrubam os prognósticos fatalistas e das mais lindas que existiram foi protagonizada por uma das mulheres mais lindas que já existiu, Oona O’Neill, Lady Chaplin, a senhora Charlie Chaplin, filha do maior dramaturgo americano, Eugene O’Neill (Longa Jornada Noite Adentro), Nobel de Literatura de 1936, que a abandonou quando ela tinha 4 anos de idade com a mãe, a escritora Agnes Boultyon, e um irmão mais velho que se matou.

Oona se mudou na adolescência para Nova York. Circulava nos anos 1940 com uniforme da Brearley School (saia plissada xadrez, meia soquete e sapatinho Oxford). Aparecia depois da lição de casa nos bares da boemia intelectualizada com Truman Capote. Era a musa do Stork Club, do tipo em que “pessoas comuns olham celebridades olhando no espelho”.

Era fotografada e paparicada como uma celebridade. Ou melhor, filha de uma. Se o pai, que nasceu num pulgueiro da Broadway e se tornou um anarquista radical e bebum, era avesso a badalações, a filha gostava do holofote. A psicanálise de coluna de jornal diria que, sufocada por um complexo de rejeição edipiano, queria chamar a atenção do pai que curava uma ressaca tomando outro porre.

Era dos rostos mais perfeitos em 56 quilos e 1m62 de altura. Viajou pela Califórnia com o casal de amigos Carol Marcus e William Saroyan (de A Comédia Humana). Foram vistos nus pelas praias de São Francisco. Para aonde o pai se mudou.

Já tinha namorado o cartunista da New Yorker, Peter Arno, e o cineasta Orson Welles, quando conheceu aos 16 anos J. D. Salinger.

Salinger encaixava. Era mais velho (25 anos de idade), baladeiro, escritor como o pai (conhecido pelo circuito de revistas literárias) e rico, que entendia como poucos de problemas da adolescência e o sentimento de se sentir à parte. Mas Salinger queria atenção, Oona, chamar a atenção.

Estourou a Segunda Guerra. Salinger, judeu, se sentiu na obrigação de combater Hitler e se alistou. No versão de 1942, Oona foi eleita a Debutante do Ano. Sua foto rodou o país. A repercussão foi tamanha que, pela primeira vez, recebeu uma carta do pai. Eugene não buscava a reconciliação, criticava a sua exposição.

Salinger foi para academia militar. Trocaram longas cartas, algumas com mais de dez páginas. Ele mostrava para os colegas de farda fotos de Oona modelo e se vangloriava: “Essa é minha garota. Me casaria com ela amanhã, se topasse”.

Ela fez dois pequenos papéis em peças de teatro, até a mãe a matricular numa escola de artes dramáticas de Hollywood. Orson Welles a ciceroneava. Sua reputação já era conhecida sob o sol da Califórnia. Reclamou com a agente que todos que a entrevistavam queriam ir pra cama com ela. Até a agente descobrir que Chaplin precisava de uma jovem para um papel. Mandou Oona. Chaplin, com 54 anos, não a escalou. Mas escreveu na sua biografia que foi amor à primeira vista.

Ela se encantou pelos olhos azuis do “velhote”. Parou de responder às cartas de Salinger sem explicação. Ironia: virou garota-propaganda de uma linha de cosméticos cujo slogan era “fique linda para seu garoto soldado”, enquanto o seu soldado não tão garoto partia para guerra.

Oona se casou com Chaplin em 16 de junho de 1943, um mês e dois dias depois de completar 18 anos. Nunca mais atuou. Chaplin escreveu: “No começo fiquei com medo da diferença de idade, mas Oona não ligava”. Eugene a deserdou e não permitiu que falassem dela. Salinger soube do noivado pelos jornais e fez o que mais sabia fazer, escreveu longas e sarcásticas cartas. Na biblioteca da Universidade do Texas, pesquisadores têm acesso à pilha de cartas desaforadas que escreveu. Escrevia e desenhava Chaplin como um velho desagradável.

Salinger desembarcou no Dia D na Normandia. Viu o horror no front. Apesar do “escândalo”, Oona e Charlie viveram inseparáveis por 35 anos em Beverly Hills e, depois, no exílio na Europa. Tiveram oito filhos. Geraldine é a mais velha. Ficaram juntos até ele morrer.

Ela morreu alcoólica e reclusa em 1991, 14 anos depois do grande amor, de pancreatite aguda. Sempre se recusou a falar de Salinger. Está enterrada na Suíça ao lado de Chaplin. Seu quinto filho se chama Eugene (engenheiro de som que trabalhou com Rolling Stones, David Bowie e Queen), em homenagem ao pai, que nunca mais a viu. Aí está o exemplo de um amor que não acabou, apesar de tudo conspirar contra.

OESP 14/12/13

SINAIS ALARMANTES

domingo, 1 de dezembro de 2013

Sinais alarmantes

FERNANDO HENRIQUE CARDOSO – O Estado de S.Paulo

Finalmente se fez justiça no caso do mensalão. Escrevo sem júbilo: é triste ver na cadeia gente que em outras épocas lutou com desprendimento. Eles estão presos ao lado de outros que se dedicaram a encher os bolsos ou a pagar suas campanhas à custa do dinheiro público. Mais melancólico ainda é ver pessoas que outrora se jogavam por ideais – mesmo que controversos – erguerem os punhos como se vivessem uma situação revolucionária, no mesmo instante em que juram fidelidade à Constituição. Onde está a revolução? Gesticulam como se fossem Lenines que receberam dinheiro sujo, mas o usaram para construir a “nova sociedade”. Nada disso: apenas ajudaram a cimentar um bloco de forças que vive da mercantilização da política e do uso do Estado para se perpetuar no poder. De pouco serve a encenação farsesca, a não ser para confortar quem a faz e enganar seus seguidores mais crédulos.

Basta de tanto engodo. A condenação pelos crimes do mensalão deu-se em plena vigência do Estado de Direito, num momento em que o Executivo é exercido pelo Partido dos Trabalhadores (PT), cujo governo indicou a maioria dos ministros do Supremo. Não houve desrespeito às garantias legais dos réus e ao devido processo legal. Então, por que a encenação? O significado é claro: eleições à vista. É preciso mentir, autoenganar-se e repetir o mantra. Não por acaso, a direção do PT amplifica a encenação e Lula diz que a melhor resposta à condenação dos mensaleiros é reeleger Dilma Rousseff… Tem sido sempre assim, desde a apropriação das políticas de proteção social até a ideia esdrúxula de que a estabilização da economia se deveu ao governo do PT. Esqueceram as palavras iradas que disseram contra o que hoje gabam e as múltiplas ações que moveram no Supremo para derrubar as medidas saneadoras. O que conta é a manutenção do poder.

Em toada semelhante, o mago do ilusionismo fez coro. Aliás, neste caso, quem sabe, um lapso verbal expressou sinceridade. “Estamos juntos”, disse Lula. Assumiu meio de raspão sua fatia de responsabilidade, ao menos em relação a companheiros a quem deve muito. E ao País, o que dizer?

Reitero, escrevo tudo isso com melancolia, não só porque não me apraz ver gente na cadeia, embora reconheça a legalidade e a necessidade da decisão, mas principalmente porque tanto as ações que levaram a tão infeliz desfecho como a cortina de mentiras que alimenta a aura de heroicidade fazem parte de amplo processo de alienação que envolve a sociedade brasileira. São muitos os responsáveis por ela, não só os petistas. Poucos têm tido a compreensão do alcance destruidor dos procedimentos que permitem reproduzir o bloco de poder hegemônico; são menos numerosos ainda os que têm tido a coragem de gritar contra essas práticas. É enorme o arco de alianças políticas no Congresso cujos membros se beneficiam por pertencerem à “base aliada” de apoio ao governo. Calam-se diante do mensalão e das demais transgressões, como se o “hegemonismo petista” que os mantém fosse compatível com a democracia. Que dizer, então, da parte da elite empresarial que se ceva dos empréstimos públicos e emudece diante dos malfeitos do petismo e de seus acólitos? Ou da outrora combativa liderança sindical, hoje acomodada nas benesses do poder?

Nada há de novo no que escrevo. Muitos sabem que o rei está nu e poucos bradam. Daí a descrença sobre a elite política reinante na opinião pública mais esclarecida. Quando alguém dá o nome aos bois, como, no caso, o ministro Joaquim Barbosa, que estruturou o processo e desnudou a corrupção, teme-se que, ao deixar a presidência do STF, a onda moralizante dê marcha à ré. É evidente, pois, a descrença nas instituições. A tal ponto que se crê mais nas pessoas, sem perceber que por esse caminho voltaremos aos salvadores da Pátria. São sinais alarmantes.

Os seguidores do lulopetismo, por serem crédulos, talvez sejam menos responsáveis pela situação a que chegamos do que os cínicos, os medrosos, os oportunistas, as elites interesseiras que fingem não ver o que está à vista de todos. Que dizer, então, das práticas políticas? Não dá mais! Estamos a ver as manobras preparatórias para mais uma campanha eleitoral sob o signo do embuste. A candidata oficial, pela posição que ocupa, tem cada ato multiplicado pelos meios de comunicação. Como o exercício do poder se confundiu, na prática, com a campanha eleitoral, entramos já em período de disputa. Disputa desigual, na qual só um lado fala e as oposições, mesmo que berrem, não encontram eco. E sejamos francos: estamos berrando pouco.

É preciso dizer com coragem, simplicidade e de modo direto, como fizeram alguns ministros do Supremo, que a democracia não se compagina com a corrupção nem com as distorções que levam ao favorecimento dos amigos. Não estamos diante de um quadro eleitoral normal. A hegemonia de um partido que não consegue deslindar-se de crenças salvacionistas e autoritárias, o acovardamento de outros e a impotência das oposições estão permitindo a montagem de um sistema de poder que, se duradouro, acarretará riscos de regressão irreversível. Escudado nos cofres públicos, o governo do PT abusa do crédito fácil que agrada não só aos consumidores, mas, em volume muito maior, aos audaciosos que montam suas estratégias empresariais nas facilidades dadas aos amigos do rei. A infiltração dos órgãos de Estado pela militância ávida e por oportunistas que querem beneficiar-se do Estado distorce as práticas republicanas.

Tudo isso é arquissabido. Falta dar um basta aos desmandos, processo que, numa democracia, só tem um caminho: as urnas. É preciso desfazer na consciência popular, com sinceridade e clareza, o manto de ilusões com que o lulopetismo vendeu seu peixe. Com a palavra as oposições e quem mais tenha consciência dos perigos que corremos.

Fernando Henrique Cardoso, O Estado de São Paulo, 1 de dezembro de 2013

 

 

Cidadania no ar - todos os direitos reservados